domingo, 9 de maio de 2010

.guardando

MARFÍSIA [Basílio da Gama]







Já, Marfísia cruel, me não maltrata
Saber que usas comigo de cautelas,
Que inda te espero ver, por causa delas,
Arrependida de ter sido ingrata.

Com o tempo, que tudo desbarata,
Teus olhos deixarão de ser estrelas;
Verás murchar no rosto as faces belas,
E as tranças de ouro converter-se em prata:

Pois se sabes que a tua formosura
Por força há de sofrer da idade os danos,
Por que me negas hoje esta ventura?

Guarda para seu tempo os desenganos,
Gozemo-nos agora, enquanto dura,
Já que dura tão pouco a flor dos anos.








Viajando de volta hoje, vendo as nuvens e tudo que elas contém, percebi como o tempo passou para mim, parece que foi repentino.
Mas não foi. 

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